quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez: Morte do presidente da Venezuela comentada pela imprensa helvética


População homenageia Hugo Chávez,
que lutou por muito tempo contra o câncer. (AFP)
CANINDÉ, Sergipe O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu na tarde da terça-feira (5 de março), aos 58 anos, após uma longa luta contra o câncer. O governo declarou sete dias de luto nacional e as cerimônias fúnebres serão realizadas no final da semana.

O acontecimento foi amplamente noticiado pela imprensa suíça. Para editorialistas e correspondentes de vários jornais, Chávez foi deixou um legado importante não apenas à Venezuela, mas também ao continente, porém ressaltam os problemas não solucionados.

Por Alexander Thoele e Marcela Águila Rubín, swissinfo.ch
06. Março 2013 - 13:52

Entrevistado pelo diário Basler Zeitung, o jornalista Sandro Benini, responde o que representa o falecimento de Hugo Chávez para a Venezuela. "O país perdeu um líder carismático, que mostrava uma verdadeira proximidade com o povo e que lutou contra a pobreza", afirma, ressaltando, porém o outro lado do líder. "A Venezuela também perdeu um tipo, que quanto mais permanecia no poder, mais ficava autoritário, presunçoso e irracional."

Para o correspondente baseado na América Latina, a Venezuela é hoje um país dividido. "O apoio que Chávez gozava por parte da população vem dos seus programas sociais. Ele investiu o dinheiro do petróleo em escolas e moradias gratuitas. Assim a situação dos pobres melhorou. Porém com tanto dinheiro gerado pela exploração do petróleo, o país deveria estar com uma situação econômica muito melhor."

Sentimento de união

As reações atuais do governo venezuelano à morte de Chávez, incluindo a expulsão de dois diplomatas dos Estados Unidos, também são comentadas por Sandro Benini. "Os Estados Unidos são os principais receptores do petróleo venezuelano. A Venezuela não se pode dar ao luxo de manter um curso de oposição verdadeiramente concreto. A tentativa do país é de apresentar com mais clareza, nessa situação de emergência, o inimigo sempre destacado por Chávez e, com isso, provocar um sentimento de união."

Já o jornal Neue Zürcher Zeitung (NZZ), no comentário escrito pelo correspondente Werner Marti, baseado em Buenos Aires, escreve que a "Venezuela e a América Latina perderam com a morte de Hugo Cháves uma figura marcante, mas que pouco da sua herança permanecerá no país".

"A estratégia de Cháves era levar os serviços do Estado diretamente aos bolsões de pobreza do país. Dessa forma, muitos venezuelanos, que antes eram totalmente ignorados pelos regimes precedentes, recebiam uma ajuda concreta. Outras camadas mais desfavorecidas se aproveitavam das clínicas ou dos alimentos subsidiados. Porém os críticos lembram que o dinheiro do petróleo era muitas vezes mal empregado e sem controles públicos", escreve o jornalista.

Situação crítica

Para o correspondente do NZZ, o chamado "Socialismo do século 21" estava caminhando para uma linha cada vez mais extremamente dirigista. Ele lembra que o setor petroleiro foi quase todo estatizado, assim como setores industriais como os de produção de cimento e aço, além do confisco de milhões de hectares de terras agrícolas. O resultado "foram fortes quedas de produção", o que levou Cháves a "revogar a independência do Banco Central e introduzir o controle de divisas".

Hoje a situação da Venezuela é critica, no entender de Werner Marti. "A inflação elevada de cerca de 30% e a forte reação à crise econômica a partir de 2008 foram sinais fortes de uma fraqueza fundamental da economia venezuelana". E o que permanece do legado de Chaves? "Se Hugo Cháves denominava o seu período de governo como uma revolução bolivariana, uma análise profunda mostra que essa chamada revolução não trouxe mudanças estruturais profundas à sociedade...Suas 'misiones' trouxeram esmolas à grande parte da população, mas nada além disso", escreve.

O correspondente do NZZ conclui que "na área econômica, Chávez não conseguiu construir nada de novo. A Venezuela está hoje mais do que nunca dependente do petróleo. A economia, enfraquecida pela intervenção estatal, só não sofreu um colapso graças aos preços elevados do petróleo no mercado internacional".
Ao seu próprio destino

"Chávez deixa o país ao seu próprio destino", intitula o Tribune de Genève um artigo em que anuncia o falecimento do Hugo Chávez. Para o diário genebrino, o presidente venezuelano "abandona o país em estado de choque e insegurança antes das novas eleições previstas para os próximos 30 dias". De acordo com a constituição venezuelana, o governo deverá convocar novas eleições em um prazo de um mês.

Antes de viajar à Havana, em 8 de dezembro de 2012, para passar por uma quarta operação, Hugo Chávez se dirigiu à nação, no que viria a se tornar uma mensagem de despedida. Então, ele pediu unidade e que o povo venezuelano votasse em seu vice-presidente. "Elejam Nicolas Maduro como presidente. Isso estou pedindo do meu coração".

Para o jornal Le Temps, Nicolas Maduro deve provar nas urnas, como afirmou seu mentor ao designá-lo, que a revolução "não depende de um homem". Em um artigo intitulado "A última Batalha do comandante Chávez," Le Temps traça a vida do presidente venezuelano. "Muitas vezes ele anunciou aos seus patriotas novas vitórias em sua batalha pela vida", escreve o jornal baseado em Genebra.

Alexander Thoele e Marcela Águila Rubín, swissinfo.ch

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